Por Felipe Lobo, capitão do Barcelândia. 

Quando comecei a pensar no nome do time para a IV Trifon, tudo que eu sabia era que tinha que ser algo com Barcelona. Ninguém tinha feito um nome com Barcelona ou Real Madrid, mas era tempo de fazer valer uma das camisas mais bonitas do mundo. A ideia também era homenagear um lugar muito especial na zona norte: a Brasilândia, bairro da nossa dirigente Camila Téo. Assim surgiu o Barcelândia.

Tive a sorte de ter no time o craque da edição anterior da Trifon. Curiosamente, quem acabou com o meu time na final: Gersinho, ou Valdas do Capão, como ele mesmo se descreveu na camisa 7 que vestiu. Mas não foi só ele que fez o time ficar forte. No gol, Thiago Lima trouxe a segurança de um goleiro como se tivesse sido formado na escola de goleiros palestrina, o seu time do coração. Anderson Moura deixou os comentários precisos no Esporte Interativo para fazer antecipações e dar segurança à defesa. Tive o privilégio de dividir com ele a nossa zaga.

Rocco, vulgarmente conhecido também como Cesar Calixto, trouxe a malandragem e a MALEMOLÊNCIA de quem sabe que a zoeira é sempre maior que qualquer jogo a raça de quem não desiste de correr nunca, chega chegando e incendeia o time. Guilherme foi o último a chegar, mas pediu a camisa 9 e garantiu boas atuações como um centroavante canhoto (te cuida, Adriano!). Tínhamos também o nosso koreano (sic), um craque com a bola nos pés que tornava todos os nossos ataques perigosos. Tirar a bola de Mauricio Matsueda era uma tarefa difícil, que os adversários logo perceberam. NADA ACOTECE, como escolheu colocar na camisa, era justamente o oposto do que dia: quando a bola passava por ele, tudo acontecia.

Com a camisa 10, para honrar o número, Charles mostrou que a diferença se faz dentro e fora de campo. Foi motivador, entrou em campo, deu tranquilidade e, mesmo quando estava do lado de fora, continuava a incentivar. Foi dele o discurso inicial do time, em busca de um sonho de chegar longe na Trifon. Sim, todo mundo quer festa na Trifon, mas ganhar é bom, não é?

Hora da bola rolar

Na estreia, tivemos pela frente o Kashimaçari. O primeiro jogo na Trifon é sempre um dos mais difíceis, porque os times ainda não se conhecem e mesmo os mais fortes podem acabar perdendo pontos que fazem falta. Ressaltei isso quando falei com o time sobre o primeiro jogo. Ganhar é fundamental para aumentar a confiança. Com os dois times tentando se conhecer, nós conseguimos uma vitória suada, mas muito importante: 1 a 0, com um gol meu de pé esquerdo, chutando de longe.

Veio o segundo jogo. Chatubayer foi o adversário e, desta vez, o time teve que se desdobrar para vencer. Anderson cometeu um pênalti ao colocar a mão na bola sem querer, mas desviando de forma decisiva. Pênalti bem marcado pelo árbitro, convertido pelo time deles. Foi preciso, então, começar a jogar. Foi quando Matsueda, nosso koreano, começou a fazer a diferença. Ele marcou dois gols, um deles um golaço de fora da área, Gersinho fez outro e viramos o jogo para 3 a 1. O time estava classificado e jogaríamos a última partida com uma certa tranquilidade.

A última rodada foi um jogo tenso com o Rocing. O 0 a 0 foi melhor para nós do que para eles, porque já estávamos classificados. Por isso, eles pressionaram mais e tivemos que fazer um jogo duro para segurar o resultado. Não aproveitamos as chances que tivemos, mas saímos de campo satisfeitos. Agora, era o mata-mata.

Ter classificado era bom, mas o adversário era muito forte: Bahtchê Borisov. Um time técnico, com bons jogadores e com o capitão Gui Rocha comandando as ações. Fomos pressionados boa parte do jogo, mas tentávamos fechar as portas da defesa e partir para os contra-ataques. O nosso goleiro, Thiago, teve que fazer grandes defesas para impedir que a gente saísse perdendo. Ao menos duas vezes, a defesa comigo e Anderson não foi capaz de impedir finalizações de perto, que Thiago teve que defender para nos salvar.

No ataque, quem nos colocou mais perto da vitória foi Gersinho. Em um chute de longe, em jogada individual como ele cansou de fazer no jogo, acertou um belo chute, marcou um golaço e fez o Bahtchê ter que sair muito mais. A pressão foi grande, mas seguramos e, no final, em mais uma jogada de Gersinho, pegamos a defesa deles desarrumada. Ele tocou para Guilherme, nosso centroavante canhoto, que tocou por cima do goleiro Danilo Xis e deixou a bola limpara para Charles tocar para o gol vazio: 2 a 0, vaga na semifinal garantida.

Chegar até ali tinha sido uma tarefa dura e sabíamos que éramos os azarões. O Crystal Palace dos Bandeirantes era mais forte, vinha melhor do que nós. Mas tínhamos uma chance, por que não? Era futebol, e, assim como foi contra o Bahtchê, era possível tentar se fechar e arrancar um gol em contra-ataque. Só que os planos foram pelo ralo quando Leando Iamin – para mim, o melhor jogador do campeonato – abriu o placar logo no começo do jogo. Com desvantagem no placar, era preciso que nós saíssemos para o jogo.

O Crystal Palace dos Bandeirantes tinha o capitão Felipe Castro, os excelentes irmãos Felipe e Luccas Oliveira e um dos melhores zagueiros do campeonato, Christian Heit. Tentamos pressionar, mas o nosso jogo simplesmente não fluía. Conseguimos trocar poucos passes e nem os nossos jogadores com mais capacidade de desequilibrar, Gersinho e Matsueda, conseguiram sair da boa marcação. No final, descuidei da marcação de Luccas Oliveira, que recebeu um lançamento perfeito de Iamin do campo de defesa e tocou de cabeça para marcar o gol do 2 a 0, que garantiu o time deles na final.

Acabava ali a Trifon para o Barcelândia. É sempre triste perder, mas quando é para um time claramente melhor, essa tristeza fica amenizada. Fizemos o que era possível e chegamos onde dava para chegar.

Mais do que o resultado, tivemos uma dirigente atuante e torcedora fanática, Camila Téo, junto com Isabela Marques incentivando o nosso time até o final. Tivemos o Charles com os seus discursos que nos inflamaram, tivemos também as muitas conversas no grupo de whatsapp falando sobre a Copa e a expectativa até ela. Tivemos ainda a oportunidade de reforçar as amizades e aproveitar mais um dia inesquecível, para contarmos por muito tempo. Retratos de um dia que jamais será esquecido… Um dia que queremos repetir.

Continuo sem o título da Trifon, mas sigo comemorando a existência de cada edição. Na próxima edição, a ideia é sempre buscar o título, mas antes de tudo, poder repetir todo aquele ambiente de alegria que nos contamina. Se preocupar menos com tabelas e mais com os abraços e cervejas com os amigos. O Barcelândia será eterno nas nossas camisas guardadas com carinho. O próximo time também será, com novas pessoas a conhecer e mais um dia de sorrisos e sonhos. Até a V Trifon.